os solitários remendos do meu bolso
Dedico como saudosa lembrança estas
memórias póstumas"
Três de setembro de dois mil e dez. Meia noite e um.
Lembro-me como se fosse hoje, agora, neste exato momento. O momento em que surpreendentemente transformei-me em um possuidor de uma grande riqueza constituída por mil cento e noventa e três notas de um.
No caso moedas de um, já que notas de um não existem mais.
Na verdade um grande amigo meu trouxe uma nota de um alguns dias atrás, porém precisava de mais mil cento e noventa duas para formar toda esta riqueza descrita acima.
Então fiquemos com as moedas, que apesar de pesarem mais no bolso, tem o mesmo valor.
Enfim, voltemos as moedas pesadas de um. Moedas estas que, apesar de pesadas, não pesaram muito tempo no meu bolso.
Oh, como seria bom que essas moedas continuassem ao meu lado... ou melhor, no meu bolso.
Todas essas moedas são como filhos desnaturados e dissimulados, tão dissimulados quanto o meu grande amigo que trouxe a nota de um.
Elas são como nós ACIs: vem em bando, resolvem algumas coisas e vão simplesmente embora, mas são peças chaves no processo.
Fim do mês. Olho de forma frustrante uma vitrine de uma loja de celulares, aquele com tv digital, bluetooth, 3g, wifi e outras trocentas coisas fúteis que provavelmente nunca utilizaríamos em nenhum momento, mas queremos.
Então as moedas reais imaginárias, as mesmas que fugiram do meu bolso tempos atrás, martelam na minha mente aquela mesma mensagem murmurada pelo magistral Galvão Bueno na final da copa de 2002:
"Não dá tempo não porque acabooooooooooooooooouuuuuuuuuuuuuu!"
É... que saudade do terceiro dia útil e das moedas pesadas de um...
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